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O cigarro x seu olho

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A fumaça do cigarro é composta por cerca de 4.000 compostos ativos, a maioria tóxica tanto à exposição ocasional quanto crônica. Muitos desses compostos são venenosos aos tecidos oculares, afetando o olho principalmente através de mecanismos isquêmicos ou oxidativos. A lista de doenças oculares associadas ao cigarro cresce continuamente. A maioria das doenças crônicas parece estar comprovadamente relacionada ao fumo. Tanto o desenvolvimento das cataratas e da degeneração macular, quanto a progressão do glaucoma, as maiores causas de cegueira no mundo, são diretamente acelerados pelo tabagismo. Outras doenças comuns, como infartos retinianos, neuropatias ópticas isquêmicas e oftalmopatia do hipotireoidismo (graves) também estão significativamente ligadas à este hábito nocivo. Os efeitos nocivos do cigarro são transmitidos pela placenta, e filhos de mães fumantes são mais propensos a desenvolver estrabismo.
A fumaça do cigarro é altamente irritativa para a mucosa conjuntival, afetando inclusive os olhos de não-fumantes (fumantes passivos). Vários componentes da fumaça do cigarro estão diretamente associados à irritação ocular, induzindo desde leve hiperemia (olhos vermelhos) até lacrimejamento excessivo e, cronicamente, olho seco por lesão às células conjuntivais responsáveis pela produção de mucina, indispensável à estabilidade da lágrima. Pacientes que fumam apresentam 50% mais queixas de olho seco do que pacientes não-fumantes. A fumaça do cigarro também estimula diretamente as terminações nervosas conjuntivais, causando intensa sintomatologia e desconforto como alfinetadas, queimação e coceiras. Em relação à cirurgia refrativa, a quantidade e a freqüência do uso de cigarros está diretamente relacionada ao tempo de recuperação pós-operatório. Ou seja, quanto mais se fuma, mais tempo o olho demora a cicatrizar e se recuperar completamente. Isso está em parte relacionado à maior proporção de pacientes com o olho seco dentre os fumantes. Quanto maior o grau de sofrimento da superfície corneana causada pelo olho seco e pelo cigarro, maior a chance de ocorrerem alterações não desejadas no grau (refração) final destes pacientes. Recomendamos fortemente aos nossos pacientes que se conscientizem dos malefícios do tabagismo para a saúde dos seus olhos e para a saúde em geral, procurando evitar o uso do cigarro, principalmente no pós-operatório de cirurgias oculares até sua completa recuperação.

Fonte: The Association Between Cigarette and Ocular Diseases. SOLBERG, ROSNER, BELKIN; Surv Ophthalmol 42:535-547,1998. 2 – Prevalence and risk factors associated with dry eye simptoms: a population based study in Indonésia. Lee et al; Br J Ophthalmol 2002; 86:1347-1351. 3 – The effect of cigarette smoking on the intraocular circulation. Beettman JW Fellows V, Chao P: Arch Ophthalmol 59:481 ? 488, 1958. 4 – The prospective study of cigarette smoking and risk of cataract in men. Christen WG, Manson JR, Seddon JM, et al: JAMA 268:989 ? 993, 1992. 5 – A prospective study of cigarette smoking aind risk of age related macular degeneration in men . Christen WG, Glynn RJ, Manson JE, et al: JAMA 276:1147 ? 1151, 1996. 6 – Smoking cessation: putting into practice. Houston TP: Arch Fam Méd 1:128 ? 135, 1992

 

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